quarta-feira, 2 de março de 2011

Meus pensamentos são irrisórios
Perto da vontade de pensar que me domina
Minhas idéias são frágeis perto da vontade de ter idéias
O mundo como idéia parece um platonismo tardio
Mas tudo se supera num beijo, num soluço, numa gota de chuva
Que telas são essas que me apresentas?
Tua voz cala na garganta a vontade de gritar a plenos pulmões
Meus olhos gotejam o só à noite como sol claro durante o dia
“Nada é mais real que o nada” se investe de que nada é real,
Mas real é a dor, a tosse, o vômito, o espasmo...
Combino com filosofia a ânsia errante que domina as vontades
Queria despertar o conhecimento na tua alma,
Mas a guerra não permite que eu pare, para ouvir, para ler...
Meus pensamentos se constroem como investidas aos muros de tróia
As ações são vagas pelo mar adentro como serpentes marinhas
Encantadas pelas correntezas, pelo baço retirado do seu fígado,
Lembra-se da última estação?
O trem não parou. Era outono. Não observamos mais o dial.
De que falo?
Falo dos pulmões, das cabeceiras, e dos travesseiros.
Louco como um velho adentro “para voltar para seus travesseiros babados”
Se os pensamentos também são vagas, singro por eles mitologicamente
Construindo faixas de loucura perseverantes ao invés de jardins e estradas
Meus olhos tumultuados tatuam na escuridão a vista cerebral das marcas que guardará
Ah, seu Antonio Pereira, que importância tem a força centrífuga, comparada com a centrípeta sobre nossas cabeças?
Misturarei com álcool as histórias que ouvi e farei uma maionese com elas,
Temperadas com tabaco, nicotina e alcatrão e cafeína.
Meus ouvidos já ouvem melhor.
Meu paladar não melhorou.
Meu olhos tem vegetado.
Que olhos grandes são esses que não me olham como num Ulpiano Pulp Fiction ao contrário?
Demorarei nas sílabas para que o poema possa ficar maior.
Inventarei sortilégios para temperar o amanhecer com os cuidados da primavera
Ouvirei sons graves que gravitarão sobre minhas têmporas com a gravidade gravitacional de uma mulher grávida
Ouça, ouça, ouça os intervalos entre as coisas... É na brisa que Deus está e não nos furacões... na suavidade e não nos tormentos...
Estarei terminando o poema?
Acho que ainda não.

Não preciso dizer nada, preciso?


terça-feira, 1 de março de 2011

Os blogs e os blogs

As pessoas não lêem nada na internet. É um fato.
E quando o fazem é sempre por necessidade: um trabalho acadêmico/escolar do tipo cola e copia; a última fofoca; uma notícia; o humor; ou a correspondência particular.
Há blogs e blogs. Blogs para se ganhar dinheiro. Blogs para se atacar os outros. Blogs para aparecer. Blogs para divulgar alguma coisa. Blogs por vaidade. Blogs por compulsão. Blogs que não parecem blogs. Blogs com erros de português...
Esse blog não faz nada disso.
É apenas o local de reunião de algumas palavras que se gostam muito.